sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Transparente



Eu vi Alice, ela estava linda como sempre, mas seu sorriso mostrava claramente a tristeza que a preenchia.  Ela me olhou, como quem tenta disfarçar o que a inquieta. Eu a conheço, ela não é assim, ela está assim, ou estava. Soube que eu era o que ela precisava, e ao mesmo tempo o que ela mais precisava evitar. Tudo o que eu podia dar, ela não queria receber, e quando eu queria fugir, tudo o que ela fazia era me prender.

Alice, minha Alice, ingênua, não conhece a si própria, não consegue se olhar, não retorna o olhar de quem  a quer amar. Eu a entendo, de alguma forma, sei que só eu posso fazê-la entender que não pode entendê-la.

Alice joga seu cabelo, joga na minha cara o que eu não quero ver, Alice provoca, chega perto, se afasta, e some, e ninguém sabe quando volta. Nem ela sabe. Nem você, Alice.

2 comentários:

  1. Alice...muitas complexidades humanas unidas em uma só pessoa. Seria uma pessoa interessante se ela fosse real...

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  2. Percebi três Alices: uma impessoal, uma ingênua e uma sensual. Poderiam ser uma pessoa só. Poderia ser todos nós.

    http://ilusoesdeamorpuro.blogspot.com/

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