A observo de longe, observo seu caminhar, o penteado bagunçado e todas as sardas em seu rosto. De longe vejo os detalhes do seu sorriso, observo a calça desbotada, reparo à distancia a unha mal feita. Ouço à quilômetros a risada tímida e a voz baixa e doce que só ela tem. Seco suas lágrimas com o lenço de papel da minha gaveta sem sair da minha casa. Sussurro palavras de amor em seu ouvido na nossa cama imaginária. Mando cartas e cartas com apenas três palavras que ela insiste em não ler.
Faço-me de idiota, sou poeta, sou hipócrita ao ponto de desmentir lhe querer. Tiro fotos de suas pernas, apago sua ansiedade, lhe mando flores, lhe conto segredos, lhe beijo. Vejo a indecisão corroer seu fígado e escurecer seus pulmões. Revelo as fotos de suas pernas, em movimento, andando, andando, correndo. E então a observo de longe, observo seu caminhar, o penteado bagunçado e todas as sardas em seu rosto.

E a personagem do texto sente coisas por alguém que ela sabe que não colherá frutos disso. Mas não custa nada apenas sentir, né? Na verdade, custa. Custa doses de tristeza, fingimento e frustração. A única saída para isso é realmente o esforço para esquecer isso, e seguir em frente.
ResponderExcluirPublicável u___u kkkkkkkk zoando, esse texto ficou muito legal, como sempre.
Amor platônico é tudo que há.
ResponderExcluirLindo texto, de muita sensibilidade...
ResponderExcluirÉ, essas coisas acontecem, admiramos tanto alguém, queremos sua presença, seu toque seu olhar, mas nem sempre o temos. Seria bom dominar essa chaminha inconveniente que acende sem querer.
=)
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